A revolução das cores em Caratoíra: como a arte urbana transforma territórios e resgata histórias

Uma escadaria antes deteriorada e invisível aos olhos de muitos tornou-se uma verdadeira tela de 1.600 m² a céu aberto. No coração de Vitória (ES), o bairro de Caratoíra provou que a união entre a periferia, a arte e o apoio da iniciativa privada é capaz de reescrever a paisagem urbana.

O projeto, idealizado pelo Instituto Vizinho da Arte sob a liderança do morador Leandro Mello e executado pelo renomado artista visual Nico GDT, transformou muros sem identidade em um manifesto de fé, memória e pertencimento. Muito além de uma intervenção estética, as intervenções ilustram e estampam o orgulho local: “Somos de Caratoíra, lugar bom de se morar”.

“Montes Altos” de história e identidade

Compreender a magnitude dessas obras exige olhar para as raízes do bairro. Formado por volta de 1922, Caratoíra — cujo nome de origem indígena significa “montes altos” — foi ocupado principalmente por trabalhadores negros ligados ao Porto de Vitória após a abolição da escravatura. Como muitas periferias brasileiras, a comunidade cresceu em morros de difícil acesso e com infraestrutura limitada, cujas ruas só começaram a ser pavimentadas na década de 1960.

Apesar dos desafios estruturais, o bairro consolidou-se como um polo de cultura popular e resistência. É o berço da tradicional escola de samba Novo Império, fundada em 1973, e lar do Clube Náutico do Brasil.

A arte urbana dialoga diretamente com esse legado cultural. Os novos murais registram o cotidiano e homenageiam a memória dos moradores, como as brincadeiras de infância na maré, as rodas de violão e até mesmo a guarda municipal Dayse Barbosa, vítima de feminicídio, que segue viva no respeito da cidade.

Grafite colorido em homenagem a Dayse Barbosa, comandante da Guarda Civil Municipal de Vitória vítima de feminicídio, pintado no projeto Vizinho da Arte em Caratoíra, Vitória-ES, com apoio da Politintas.

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Graffiti ou Grafite? A força do nome original

Muitas vezes vemos a palavra escrita de formas diferentes, mas você sabia que os adeptos da arte de rua fazem questão de usar a grafia estrangeira?  Entenda a diferença:

TermoOrigem e significadoUtilização
GraffitiPalavra original em italiano/inglês (plural de graffito, que significa “arranhado”).É a forma preferida pelos artistas para manter a fidelidade às origens do movimento Hip Hop e à cultura de rua global. O termo conecta o artista à tradição do movimento.
GrafiteÉ o aportuguesamento aceito para a expressão artística. Atenção: também se refere ao mineral do lápis (“a” grafite).É o termo mais comum em dicionários no Brasil para definir a arte autorizada em muros.
Grafite urbano com músico tocando violão em barco e tartaruga marinha ao lado, em mural colorido do projeto Vizinho da Arte, realizado em Caratoíra, Vitória-ES, com apoio da Politintas.

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Urbanismo social e o efeito “placemaking”(transformação de espaços públicos):

A transformação da escadaria em um “cartão-postal” é um exemplo prático do conceito de placemaking: transformar áreas de passagem em lugares reconhecidos e cuidados pelas pessoas. Quando um espaço que antes comunicava abandono e passa a traduzir cuidado, ele altera o clima psicológico do lugar, reduz a percepção de insegurança e estimula a permanência.

O impacto reverbera na economia local e na autoestima da população. Moradores relatam que a intervenção trouxe novos ares, melhorando o clima da comunidade e resgatando o orgulho de quem mora na região. A vizinha Maria da Penha Avelino, por exemplo, viu a vista da sua janela ganhar vida e passou a oferecer cafezinho aos pintores e visitantes. O relato do morador Jefferson Braga Ribeiro, por sua vez, mostra o potencial turístico da iniciativa: “Tenho parente que veio de Cariacica só pra fazer foto com a escada”.

Essa dinâmica espelha fenômenos globais de economia criativa de bairro — um modelo onde a cultura, os saberes e a arte desenvolvidos localmente se transformam em motores de geração de valor e renda para os próprios moradores. Locais como a Comuna 13 (Colômbia), o Morro do Vidigal (RJ) e o Beco do Batman (SP) mostram como o graffiti atrai visitantes, impulsiona negócios e cria roteiros de turismo cultural que geram renda para quem vive no território.

Mural de grafite retratando mulher carregando bacia com peixes sobre a cabeça, inspirado na cultura e no cotidiano popular de Caratoíra, em Vitória-ES, no projeto Vizinho da Arte.

O desafio das tintas: pintando a céu aberto

Pintar um mural de 1.600 m² ao ar livre exige muito mais do que talento artístico: trata-se de um rigoroso desafio técnico para entender como as tintas se comportam no ambiente externo. A execução em um morro expõe a obra a extremos climáticos, como chuva, sol intenso e umidade persistente, que ameaçam a aderência, a secagem e a integridade da cor.

Para garantir que a arte sobreviva à ação do tempo, três frentes técnicas são indispensáveis: 

  • Preparação da superfície: a base deve estar limpa e isenta de mofo, musgo ou partes soltas, pois qualquer falha acelera o descascamento e compromete o trabalho artístico.
  • Resistência climática: a tinta precisa suportar a variação térmica contínua, pois a exposição solar resseca a película e desbota as cores, enquanto a umidade favorece infiltrações e fungos.
  • Especificação extrema: em um projeto desse porte, a tinta não é apenas o acabamento; ela atua como a estrutura de preservação da obra. Soluções acrílicas premium com aditivos antimofo, resistência UV e proteção contra a água são exigências fundamentais para reduzir repinturas.
 Mural de grafite com crianças saltando e brincando sobre fundo geométrico colorido, retratando lazer e infância na comunidade de Caratoíra, em Vitória-ES, no projeto Vizinho da Arte apoiado pela Politintas.

O apoio da Politintas e o artista como protagonista

A qualidade cromática e visual do mural dependeu diretamente das tintas de altíssima qualidade fornecidas pela Politintas, em conjunto com grandes parceiros como Sherwin-Williams e Colorgin. Mas, o grande diferencial da ação foi a liberdade técnica concedida ao criador, colocando o artista no centro do processo decisório.

Essa parceria materializa o conceito moderno de apoio corporativo e de responsabilidade social (ESG), que substitui a lógica da simples doação pontual por estratégias de empoderamento e autonomia dos atores impactados. “O que mais me chamou a atenção foi que eles me chamaram para ir à loja escolher os materiais que eu queria. Porque só o artista sabe”, relatou o artista visual Nico GDT.

O líder comunitário Leandro Mello reforçou o valor dessa sinergia: “A alma desse painel vem do engajamento de cada morador, que esteve junto do artista para fazer a mudança acontecer; e da ajuda da Politintas e das marcas parceiras, que acreditaram no projeto doando os materiais de ponta que precisávamos”.

A intervenção em Caratoíra deixa uma lição irrefutável: quando a comunidade se une e encontra parcerias estruturadas, a arte atravessa fronteiras, colore realidades e transforma a cidade para sempre.

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Você não precisa resolver a pintura da sua casa, da sua obra ou do seu negócio sozinho. A Politintas é a parceira ideal para indicar os produtos de alta durabilidade, secagem rápida e resistência que os projetos mais exigentes pedem.

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  • Publicado em:
08/05/2026
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